
El hipnotizador romántico se soma à rica lista de discos do ano com a estreia homônima.
Isla bonita - El hipnotizador romántico
O projeto é mais uma cria da dissolução do Mataplantas, que, ao que parece, ajudou a deixar a música independente argentina ainda mais irresistível. Primeiro, foi o extraordinário Pablo Malaurie, com seu El festival del beso. Depois, tivemos o Cosmo, chamado de supergrupo em quase todo comentário que li a respeito. E, agora, fechando 2011 com açúcar fino, Maximiliano Garcia entrega 11 faixas do projeto que vinha cozinhando dentro e fora da web há alguns meses.
Nas alturas, alegre e recheada de camadas limpas, “Como verdurita fresca” abre o disco com a tal poesia que hipnotiza e é romântica. Tem coro, metais e melodia redonda. A continuação, com “Movimiento floreado”, vem no mesmo ritmo, agitado por um saxofone circular e trompetes apoteóticos que anunciam o melhor do mundo.
Com a regravação de “Radio romance”, que já tinha dado o ar da graça no myspace, o disco assiste ao primeiro hit-maravilha, que empurra o pé pra cá, a cabeça pra lá, e o corpo assume essa leveza que a gente só lê em livro bom. E, então, ouço a estrofe de novo, que delícia e bom gosto. Gracias, Maxi. “Isla bonita”, a faixa seguinte, poderia correr o risco de deixar o disco cair, mas nada disso, rapaziada. Encaixa um “papapapá pá” e um dueto com a voz que deve ser de Rocío Maquieira, belíssima, sempre sobre um acordeão pra lá de à vontade, num conjunto que é beleza grande. Tudo sorriso no coração, numa tarde de um sol hawaiano.
E Maximiliano não para. Segue, agora com o pé no freio e simpatia dos poetas boêmios, pelos trilhos de “Si un cometa es nada que perder…”. É trova urbana contemporânea, é melosa, doce e totalmente bonita. Sem poupar elogios, ouvimos “Solo alimentás mis fieras”, que também já tínhamos ouvido em versão anterior, e aprendemos a melodia e as letras, rápido e contente, de novo. “Salvajes” é outra faixa que tínhamos assobiado meses atrás, quando publicamos o vídeo aqui. No disco, parace um um pouco mais lenta, coisa pouca, e o todo conserva o jeito de balada romântica para ouvir e cantar debaixo da chuva.
Radio romance - El hipnotizador romántico
Fechando a seleção que faz do disco um dos más grandes trabalhos do ano, a novamente excelente “Sin continente”. Suave, dedilhada, curta e desenhada nos moldes de vinheta, põe o ponto final num poemario pop da mais elegante categoria.


