
Quando assistimos ao vídeo de “Crisis mundial”, do Siro Bercetche, no começo de 2010, tivemos certeza de que a excentricidade do argentino era pura inteligência. Depois, a crise pareceu domesticada, e a Londres vazia e soturna do vídeo soou um pouco exagerada. Ledo engano, mestres. Precisou de pouco tempo para os indignados tomarem as praças de uma Espanha arrebentada e debandarem para Buenos Aires, ou para botarem o Berlusconi para correr. Vimos quebradeira na Grécia, alfinetadas da Merkel, Euro em cheque e o prenúncio do naufrágio da grande Europa. Será?
Siro é poeta profeta, concluímos hoje, com razão. Não tem dor no bolso; só no coração. Chega agora a El destructor, seu quarto álbum, disfarçando o sarcasmo com jaqueta de couro, num projeto mais velveteiro; com rock de timbres afinados e urbanos. Constrói climas como “Dispararte”. E, quando imaginamos que adivinhamos a rota de Siro, nos damos mal, muy mal, porque o maestro lança mão de uma rap provocador, de versos como “La monogamía es una gran patraña”. Encontramos ainda baladas como “Ventana”, ou sopros psicodélicos setenteiros no estilo de “Holly”.
Siro, um dos Clavos que acompanham Félix Cristiani, optou por títulos de uma só palavra para chamar suas canções. Exceção única, lógico, feita em nome do amor, que, segundo ele, não tem começo nem fim – simplesmente é.
Vamos de – e com Siro –, grandes. Ele está lá na frente.

