
Lembro bem quando vi Guillermo Alonso, por primeira vez, chegando para o show que faria no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Naquele dia, e isso tem tempo, tive certeza de que estava conhecendo um dos grandes do novo folk independente latino-americano: a fala era mansa, tranquila, com pausas para respiro e palavras tímidas, pouco óbvias, mas convictas. Surpreendeu, de cara, a consciência que procurava para o próprio trabalho: para o bem ou para o mal, prevendo um futuro fácil ou desfavorável, tudo o que falava sobre a sua música tinha começo, meio e fim. Coisa rara - e, hoje, vemos a importância que tem.
No ano passado, Coiffeur participou do disco Não moro mais em mim com uma belíssima versão de “Uns versos”. O arranjo experimentou texturas eletrônicas e trouxe pistas do trabalho que Guillermo viria a produzir, com Juan Stewart, para seu próximo disco, que sai agora em 2012.
“Con Juan ya hace un tiempo que estamos armando un EP. Es un disco de 4 canciones en plan pop electrónico, sin guitarras. Creo que te había comentado que me desvinculé de Estamos Felices. Ahora estoy en tratativas para editar el EP en vinilo con otro sello. Tengo intenciones de viajar a México y España. Esos son mis objetivos en este momento. Estoy componiendo temas en el plan canción electrónica, así que es probable que lo próximo después de este EP sea otro EP o un LP.”
Coiffeur publicou três discos, tendo experimentado um caminho diferente, e mais arriscado, no último deles. Foi da canción intuitiva a composições difíceis, sem temas assobiáveis ou rimas imediatas. “Justo el otro día volví a escuchar un tema de El tonel de las Danaides, y la verdad es que cada vez que lo vuelvo a escuchar me deja muy tranquilo y me reafirma en la idea de que es un disco que me encanta como está hecho y encarado. Sé que es un disco que exige y demanda mucho al oyente, pero más alla de eso me gusta como obra. Quizás peque un poco de pretencioso, pero no es algo que sienta que le juega en contra.”
Estamos agora na rota desse novo trabalho, que provavelmente significará um giro na música do argentino. A promessa é grande; a espera, pequena. Em maio ou junho, ouviremos as músicas novas.

