
Poucos dias servem para escrever sobre uma música inédita de Juan Stewart. Parece que esperamos por uma tarde gelada, de um mês de junho - que é mesmo um mês bonito -, com silêncio generoso, para prestar a merecida atenção a cada som que anuncia a volta do Rhodes de um dos nomes que mais admiramos na música argentina contemporânea.
De novo, é com pouquíssimas notas e sequências loopeadas que “Nueve” corre sobre um campo vasto, esperançoso e encharcado de beleza. O tema, que passa pelo teclado, pela guitarra e, de volta, pelo teclado, com outro timbre e o baixo dando corpo no fundo, tem alegria mansa e serenidade sem fim; é atardecer estirado sobre um pátio onde o tempo se perde e a gente reconsidera a hipótese da plenitude num cantinho desse mundo absurdo.
Nada tem sentido, mas comove e é bonito, e diz ou insinua alguma coisa que a gente precisa traduzir para se sentir melhor - que absurdo.
Juan Stewart é um mestre.

