
107 Faunos, os excelentes 107 Faunos, estão, há dois discos, recrutando aliados para a fundação de uma estética: a música e a criação como pretexto, ou consequência, de amizades que vêm e carregamos para toda a vida. A conversa sobre as coisas que fazem a diferença vale mais que um microfone perfeitamente calibrado. Se a melodia tem a marca de um mundo ideal, de lealdade, tudo, absolutamente tudo vale a pena.
Por isso, desde o disco homônimo, se não me engano de 2008, com os hinos “Los saurios”, “Pequeña Honduras” e “Muchacho lobo”, passando pela segunda música do ano passado, a extraordinária “El jefe de los malos” (com um dos coros mais viscerais que a música pop acolheu), até o recente EP El tesoro que nadie quiere, os grandes 107 estão recheando a vida de vinho, saudade, amizades e lirismo. O rock é mais que o rock.
El tigre de las facultades - 107 Faunos

“El tigre de las facultades”, com bateria elegante e timbres de guitarra da mesma dinastia dos discos anteriores, abre o belíssimo EP e entrega, para a sorte de todos nosotros, versos crescentes, que optam por uma curva aqui e outra ali, só para chegar ao porto beleza que costura 3 ou 4 vozes juntas, apaixonadas. É ouvir a primeira vez e vestir a camiseta de fã.
“Lobo mío”, a seguinte, é parente próxima de “El jefe de los malos”, com tensão na guitarra e letras quase messiânicas. Saltamos uma faixa e descobrimos o melhor título do disco: “Con y contra”. Depois, temos ainda a punkeada “Cachorros” e a balada dramática “Panchito en Hawaii”, que preparam o encerramento, com novos coros amistades, a cargo de “Modelos de prueba”.
O trocadilho é bobo, mas inevitável. 107 Faunos estão navegando em mar aberto, numa arca feita de tudo que sai do peito, tesouro raro, escasso nesse universo tão cheio de “HHs” e “como vais?”.
107 faunos - El tesoro que nadie quiere from Brazo Armado Cine on Vimeo.

